sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Julia

O mundo da pequena Julia, no qual ela se sente segura, é aquele lar estável e harmônico formado por Rodrigo e Manuela. Julia sempre soube que é filha da Ana porque “saiu da barriga da Ana”, mas foi com a Manuela que ela estabeleceu um vínculo de mãe e filha. Por isso mesmo, quando a Julia começou a chamar a Manu de “mãe” , o casal procurou uma psicóloga que os aconselhou a deixar, uma vez que o vínculo mãe e filha estava estabelecido.

A Julia sempre soube a respeito da Ana e a visitava no hospital em diversas ocasiões acompanhada de seus pais. Entretanto, não se relacionava com aquela mãe que só dormia, portanto é natural que o despertar da Ana fosse visto pela Julia como algo ameaçador.
Diante desta mãe que retorna à vida e passa a falar e a interagir com ela, a Julia imediatamente percebe a situação como um perigo iminente de ser obrigada a passar por uma “troca” de mães, como se após o retorno da Ana a Manuela tivesse que deixar de ser sua mãe para dar lugar à outra e isso deixa a Julia apavorada. A Manuela é a mãe adotiva da Julia, não apenas uma tia biológica, de modo que a menina a ama e não quer perdê-la.
Percebendo isso, a Manuela procurou convencer a Julia de que ela não corre o risco de perdê-la, mas ganhará outra mãe e assim terá duas mães. Ao se convencer disso, a Julia aceita a Ana e inicia um relacionamento com ela. O problema é que a Eva diz à menina que “a Ana é a única mãe dela e que a Manuela a roubou dela, mas agora a Ana a quer de volta”. Ouvir isso fez renascer o pesadelo da criança que não quer perder a mãe que ela ama. Para a Julia é inaceitável trocar uma mãe por outra, de modo que ela passa a rejeitar a Ana porque a vê como uma ameaça ao seu mundo.
 A Julia não chama a Ana de mãe porque ainda não criou este vínculo com ela, e também porque ao não chamá-la de mãe afasta a possibilidade de ter que fazer uma troca de mães o que seria muito confuso para ela. A Julia jamais aceitará perder a Manuela, portanto, para que a menina aceite a Ana e a chame de mãe, ela precisa ter a certeza de que não sofrerá nenhuma perda.  
O desafio está aí: a Ana precisa reconquistar a filha, porém isso só será possível se ela se harmonizar com a irmã Manuela e deixar claro para a Julia que ela não terá que escolher entre uma e outra, mas poderá ser feliz com suas duas mães. Mas ainda existe a relação com o Rodrigo com todos os conflitos envolvidos. Ao se envolver com o pai da menina e provocar a separação do casal, a Ana se tornará uma ameaça ainda maior aos olhos da Julia que poderá rejeitá-la de vez. Na cabecinha da criança: se a Ana já tomou o pai de volta logo a tomará também. Julia sentirá que o retorno da Ana destruiu o lar onde ela se sentia segura e isso tornará a relação das duas impossível num primeiro momento.

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